domingo, 4 de fevereiro de 2007

Um problema de consciência

Nuno Brederode Sanos, no DN, 4/2/2007:

Tem sido dito, até dos dois lados em confronto, que o que está em causa é um problema de consciência. Oxalá fosse, mas não é. A questão da interrupção voluntária da gravidez, hoje e em Portugal, é um problema com dimensão política, porque de saúde pública. E é um problema de pobreza, incultura, menorização preconceituosa da mulher e medo. Nada disto faz com que a mulher que não pode (ou responsavelmente não quer) ser mãe aceite o filho indesejado. Tudo isto apenas a empurra para o aborto clandestino. A consciência tem o seu espaço de respiração na liberdade e na responsabilidade. Se o "sim" ganhar, então, de facto, levar por diante uma gravidez indesejada ou aceitar, livre e responsavelmente, dar vida passará a ser um problema de consciência.

2 comentários:

Margarida disse...

O seu artigo é muito bom, equaciona a questão do aborto sem demagogia.
Mas anda aí uma grande confusão na campanha sobre o aborto.
Acredito que muita gente ande confusa.
O não é muito demagógico , porque usa argumentos incontestáveis, e assim baralha tudo.
Claro que o aborto é sempre péssimo.
Claro que a mulher que faz o aborto impede que um ser humano venha a nascer.
E as mulheres que abortam sabem disso.
Por isso tudo é que o aborto deve deixar de ser feito na clandestinidade.
Porque na clandestinidade ela não tem vozes amigas que lhe digam que não é obrigada a abortar.
Porque na clandestinidade ela está sózinha, infeliz, envergonhada.
Porque na clandestinidade ela é pressionada a abortar, mas tudo em segredo.
Porque na clandestinidade ela é uma coisa, uma fonte de rendimento para um negócio clandestino.
Porque na clandestidade não tem os tais médicos que gostam tanto da vida para lhe dizerem que ser mãe é maravilhoso.
Porque na legalidade ela não vai ter vergonha de estar grávida
Porque na legalidade ela vai ser tratada, como um ser humano com direito a toda a dignidade.
Porque na legalidade ela vai ter alguém que a queira ouvir e acredite nela.
Porque na legalidade não há hipocrisia.
Porque na legalidade , tudo será mais humano.
Porque na legalidade se acabará com a solidão e desespero das mulheres qu engravidam e são abandonadas por tudo e todos.
Muitas mulheres deixarão de abortar quando souberem que nunca estarão sós, que não perderão a sua dignidade ,
em circunstância alguma.
Estar vivo hoje é isso . Só se pode ser mãe com dignidade.
Na clandestinidade é tudo sujo.
Por isso eu voto sim.

Pedro Silva disse...

Bem dito. Ou bem escrito. Vote SIM!